domingo, 23 de setembro de 2012

Mulher e pombos




Mulher e pombos.
Mulher entre sonhos.
Nuvens nos seus olhos?
Nuvens sob seus cabelos.
(A visita espera na sala;
a notícia, no telefone;
a morte cresce na hora;
a primavera, além da janela).
Mulher sentada. Tranquila
na sala, como se voasse.


João Cabral de Melo Neto



(...)
Para que falar
Seja tão generoso
Como beijar

Para misturar a mulher e o rio
O cristal e a dançarina da tempestade
A aurora e a estação dos seios
Os desejos e a sabedoria das crianças

Para dar à mulher
Pensativa e só
A forma das carícias
Que ela sonhou
(...)


Paul Éluard


Marília, de que te queixas?
De que te roubou Dirceu o sincero coração?
Não te deu também o seu?
E tu, Marília, primeiro não lhe lançaste o grilhão?
Todos amam: só Marília desta Lei da Natureza.
Queria ter isenção?


Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810)