domingo, 23 de setembro de 2012




(...)
Para que falar
Seja tão generoso
Como beijar

Para misturar a mulher e o rio
O cristal e a dançarina da tempestade
A aurora e a estação dos seios
Os desejos e a sabedoria das crianças

Para dar à mulher
Pensativa e só
A forma das carícias
Que ela sonhou
(...)


Paul Éluard


Marília, de que te queixas?
De que te roubou Dirceu o sincero coração?
Não te deu também o seu?
E tu, Marília, primeiro não lhe lançaste o grilhão?
Todos amam: só Marília desta Lei da Natureza.
Queria ter isenção?


Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810)

Soneto do Orfeu



São demais os perigos dessa vida
Para quem tem paixão, principalmente
Quando uma lua surge de repente
E se deixa no céu, como esquecida
E se ao luar, que atua desvairado
Vem unir-se uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher
Uma mulher que é feita de música,
Luar e sentimento, e que a vida
Não quer, de tão perfeita
Uma mulher que é como a própria lua:Tão linda que só espalha sofrimento,Tão cheia de pudor que vive nua.


Vinícius de Moraes