sexta-feira, 20 de março de 2009

Rainha Maria Cristina de Bourbon (1806-1878):




























Maria Cristina, a bela princesa napolitana que conquistou o já caduco Fernando VII, valeu-se, sem dúvida, da linguagem do leque para enviar recados e dissimular os seus sentimentos. Primeiro, para velar pelos interesses de sua filha, a futura Isabel II, ameaçados pelo carlismo. Depois, já viúva, para encobrir o seu casamento secreto com o duque de Riansares. Os leques da rainha, segundo a moda romântica seriam brisé, feitos de materiais nobres e com caprichosos perfis.

Madame Récamier (1777-1849):




























Julie Bernard, filha de um abastado banqueiro e esposa do também banqueiro Récamier, reinou nos salões parisienses de princípio do século xix. Amiga de madame de Staël, foi amante do pintor Benjamin Constant e, posteriormente, do escritor François Chateaubriand. No seu tempo, o estilo caracterizado pela austeridade de formas e o regresso à estética clássica transformaram o leque num objeto démodé. Porém, as damas da aristocracia e da alta burguesia resistiram a deixar de usá-lo, quer pelo que possuía de objeto de luxo, quer pela sua condição de emissor de códigos secretos para o galanteio.

Rainha Adelaide (1792-1849):


























Retrato de Adelaide de Saxe-Meiningen, por Samuel Diez (1830).


Adelaide de Saxónia-Meiningen, cuja memória foi perpetuada na cidade australiana homónima, foi o contraponto adequado ao carácter complexo de seu marido, Guilherme IV, rei de Inglaterra. Doce e reservada, a sobriedade dos seus hábitos não foi obstáculo a que no seu guarda-roupa figurasse uma variada colecção de leques. Correspondendo ao seu gosto pelas Belas-Artes, alguns exemplares tinham a folha delicadamente pintada e assinada pelos melhores artistas da época.