terça-feira, 27 de maio de 2008

MADAME BOVARY - GUSTAV FLAUBERT




































Antes de casar ela julgara ter amor, mas como a felicidade que deveria ter resultado daquele amor não viera, ela deveria ter-se enganado, pensava. E Emma procurava saber o que se entendia exatamente, na vida, pelas palavras "felicidade", "paixão", "embriaguês", que lhe haviam parecido tão belas nos livros.


Madame Bovary, de Gustave Flaubert (1821- 1880), é um romance atemporal, pois transmite uma mensagem que perpassa o tempo, os séculos e condiz com a realidade atual. Comprometido com os padrões de sua época, com uma linguagem extremamente trabalhada e descritiva, foi lançado na França há 150 anos atrás (1857).
O personagem de Ema Bovary é o de uma bela mulher, sonhadora, requintada e inteligente, apesar de ter sido criada no campo, com os altos e baixos próprios de uma mulher que nunca sabe o que quer, sonhava com príncipes, bailes e riquezas. Viveu numa época em que as mulheres eram proibidas de expressarem seus sentimentos e desejos, não participavam da vida política e eram criadas para serem esposas ou freiras. No entanto, Flaubert a coloca na contramão de seu tempo, vaidosa, cheia de vontades, buscando caminhos diferentes, não aceitava ser submissa, prendada ou fiel e procurava incessantemente satisfazer seus caprichos nas suas paixões extraconjugais.


Camille Claudel - Arte e Loucura
































Camille Claudel é, sem dúvida, a maior escultora da segunda metade do século XIX e da primeira metade do século XX. Nascida em 1864, é mais conhecida por sua vida atribulada que por seu trabalho. Aos 19 anos, conhece Auguste Rodin, 24 anos mais velho que ela, escultor já consagrado, que se torna seu mestre e amante. Sua vida está relacionada à de Rodin até 1898, ano em que se separaram. A partir de 1906, arremete contra sua obra, destruindo grande parte de sua produção, numa espécie de exorcismo, como uma forma de livrar-se daquilo que ainda a vinculava ao homem amado e com a obsessiva dor do abandono, gravado em uma de suas esculturas. Rodin transforma-se num inimigo perseguidor, dentro do delírio paranóico de Camille. Em 1913, por ordem de sua mãe e de seu irmão, ela é internada em um asilo de loucos em Ville-Evrard. Em 1943 morre em sua prisão psiquiátrica, esquecida do mundo, sem glória, sendo enterrada, anonimamente, em uma vala comum.